Com a aspiração do corpo pedagógico por uma arquitetura antroposófica, a escola ganha salas hexagonais, alameda central, estrutura desmontável e paredes em taipa de mão

Waldorf Ecoara

Da necessidade de ampliação da Escola Waldorf Ecoara (Valinhos, SP) e do desejo da comunidade em permanecer no mesmo endereço, nasceu o projeto de ampliação da escola com arquitetura assinada pelo escritório paulistano Shieh Arquitetos Associados – que tem expertise na área de arquitetura educacional. A previsão é de que a primeira fase da expansão seja entregue em janeiro de 2019 e aumente a capacidade de 88 para 140 vagas.

Entre as mudanças, está a aspiração do corpo pedagógico por uma arquitetura antroposófica. De acordo com o pensamento de Rudolph Steiner, deve-se evitar a adoção de ângulos retos e se trabalhar os ambientes com formas mais orgânicas – o que seria mais acolhedor aos alunos. Daí a opção por novas salas de aulas em formatos de hexágonos e telhados inclinados.

Outro importante aspecto é a modularidade e ampliação por fases subsequentes, de maneira a acompanhar o crescimento da escola (que em fevereiro de 2019 atinge o 3º ano do ensino fundamental brasileiro).

Com a premissa de uma construção desmontável, os arquitetos optaram também por um sistema construtivo cuja estrutura é leve e rápida de instalar, em peças de madeira de lei (Orbital Estruturas de Madeira).

Pilares, vigas, terças são relocáveis. Telhas, portas e janelas também. Os únicos itens que não são possíveis de reaproveitar são fundação (por motivos evidentes) e paredes. Para as paredes, reservou-se um caráter especial.

Segundo Leonardo Shieh, arquiteto e sócio do Shieh Arquitetos, por se tratar de uma escola associativa, em que os pais participam ativamente, pretende-se criar uma atividade construtiva que dê senso de pertencimento ao grupo. As paredes serão fechadas com a tradicional técnica de taipa de mão.

Entre a estrutura principal de madeira, serão dispostas malhas de galhos e bambu. A malha dá suporte ao “sopapo de mão”, barro a ser compactado manualmente pelos pais e crianças numa atividade lúdica e bastante simbólica.

Especialistas em taipa (da Taipal Construções em Terra) ministrarão, inclusive, um curso prático de capacitação para a comunidade da Ecoara e também aos pedreiros da obra. A ideia é difundir o emprego da técnica, esquecida em sua versão tradicional e ainda pouco difundida em sua versão moderna, agora com os devidos controles tecnológicos da mistura.

“Queremos uma parede com bom conforto térmico e que ‘respire’. Mas a característica mais interessante desta técnica é a ‘retornabilidade’ do material ao meio natural, ou seja, a terra volta a ser terra. Para isso, não haverá a adição de química nesse projeto (aglomerantes ou hidrofugantes)”, explica o arquiteto.

As telhas (material Perfilor e montagem Ideal Coberturas) serão em aço pré-pintadas formando um sanduíche de lã de rocha. A face inferior do conjunto será feita com telha perfurada, de modo a permitir a absorção acústica apropriada para salas de aula.

A expectativa do projeto é que a escola, tanto por sua planta de salas hexagonais dispostas a criar uma alameda central, quanto pelo tipo de construção, possa nutrir a comunidade além das salas de aulas.

Com ampla atuação na área da arquitetura educacional, são projetos do Shieh a Escola de Ensino Médio da Fundação Bradesco (Osasco), Universidade São Judas (SP), Colégio Salesiano Dom Bosco (Piracicaba) e Colégio Santa Teresinha (São Paulo).

Ficha:
Expansão Escola Waldorf Ecoara
Área de terreno: 5.300m2
Área construída atual: 700m2
Expansão Janeiro 2019: + 250m2
Expansão projetada: + 700m2

 

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Contato:
Shieh Arquitetos
(11) 3083-143
http://shieh.com.br/